domingo, 3 de abril de 2011

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Alma, calma, acalma.

Escrevo em um papel que não existe.
E as palavras insistem em não querer sair.
Me resumo apenas a reflexões sem rumo e sem lógica.
Passo o dia pensando na madrugada, límpida e calma.
Como se nela todos os fantasmas desaparecessem para dar lugar à paz e sossego que muitas vezes foge.
O dia às vezes assusta e traz novidades velhas, nada bem vindas.
Os olhares se tornam afetuosos, porém exagerados e apreensivos, como se precisassem sugar algo dentro de mim que não tenho como oferecer,nem de onde tirar.
As necessidades se voltam para aqueles que não deveriam se sentir necessários.
Necessidade sufoca. Liberdade sufoca. Ser observado em excesso sufoca.
Sufoco, mas respiro.

Rodeio os mesmos problemas da semana passada como se fossem atuais,
Mesmo sabendo que as soluções continuam sendo as mesmas (inexistentes).

O novo assusta.
O novo conquista seu espaço aos poucos.
O novo alegra.
A madrugada acolhe.
Acolhe mais do que a cama vazia, do que o lençol limpo, até mais do que o silêncio total que no quarto se encontra.
A brisa, ainda que não seja do mar, agrada e acalma.
Acalma.
Calma.
Essa minha alma.
Calma alma.


Fernanda Cantarino

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